Eram quatro da manhã, aquela hora a que a insónia ganha mais forças e se ergue sobre braços feitos de ferro. Irrequieta, incapaz de suster a sua própria respiração, inclina-se sobre o único sítio que lhe parecia seguro. Uma caixa vermelha, na mesa de cabeceira, aquela caixa que quase mais ninguém conhecia. Abriu a gaveta, abriu a caixa, a aliança de sempre, com o brilho de sempre. Coloca-a no dedo, suspira um pouco mais fundo, o ar sabe-lhe a pouco, mas aquela aliança consegue sempre dar-lhe a paz que, mais não seja por um instante, afasta o aperto que lhe tira o sono. Fecha os olhos e entrega-se a um longo suspiro que diz tudo aquilo que as palavras não conseguem conter… E finalmente consegue dormir…
domingo, 12 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Here we go again...
So I'll come by and see you again
I'll be just a very good friend
Have mercy on my soul
I will never let you know
Where my mind has been
...
I will not look upon your face
I will not touch upon your grace
Your ecclesiastic skin
...
If I whisper they will know
I'll just turn around and go
You will never know my sin
I'll be just a very good friend
Have mercy on my soul
I will never let you know
Where my mind has been
...
I will not look upon your face
I will not touch upon your grace
Your ecclesiastic skin
...
If I whisper they will know
I'll just turn around and go
You will never know my sin
sábado, 28 de janeiro de 2012
domingo, 20 de novembro de 2011
O tempo que não cura
Ouviu vezes sem conta “O tempo tudo cura”, e por cada vez que ouvia essa frase, o nó nada cego que trazia dentro de si dava mais um mortal enpranchado à retaguarda, retorcia-se em silêncio e acompanhava o sorriso em trejeito que se limitava ao lado esquerdo do rosto.
Detestava aquela frase. Era contrária a tudo o que sentia, era contrária a tudo o que sabia, era contrária a mais de metade da sua vida. Sobretudo naquele dia, sobretudo naquele aniversário que poucos sabiam existir. Tinham passado mais de 17 anos, mais precisamente 6385 dias e a dor não tinha aquietado, a saudade não tinha passado, o luto continuava em carne viva. Todos esperavam que tivesse recuperado, é o que se espera, que se recupere das perdas, das mortes, dos lutos. Era o que se esperava, e era provavelmente o que teria acontecido não fosse ela quem fosse, não tivesse sido a morte de quem foi.
E as vozes continuavam, o tempo tudo cura, vais ver.
Mas não via…
6385 dias depois e continuava a sentir no pescoço aquela mão esguia que encaixava na perfeição em cada curva do seu corpo, continuava a saber de cor o seu cheiro. Bastava-lhe fechar os olhos para sentir o seu toque, uma tatuagem invisível que se estendia por cada pedaço de pele. E por mais outros toques que sentisse, por mais corpos que conhecesse, nenhum seria como aquele, aquele continuava sempre a sentir, mesmo passados 6385 dias sem o sentir. E os olhos, aqueles olhos que a conheciam como ninguém, continuavam a ser a primeira coisa que via em cada acordar, mesmo passados 6385 dias sem os ver.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
94
"Sleepless nights you creep inside of me
Paint your shadows on the breath that we share
You take more than just my sanity
You take my reason not to care
No ordinary wings I'll need
The sky itself will carry me back to you
Paint your shadows on the breath that we share
You take more than just my sanity
You take my reason not to care
No ordinary wings I'll need
The sky itself will carry me back to you
...
The earth that is the space between,
I'd banish it from under me...to get to you"
Sara B.
I'd banish it from under me...to get to you"
sábado, 16 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Cheia de ti
Deixa-me
Encher-me de ti
Encher os sentidos, as mãos e o corpo,
A vontade e a saudade.
E então, já cheia de ti,
Deixa-me descansar, assim
Cheia, em mim
Encher-me de ti
Encher os sentidos, as mãos e o corpo,
A vontade e a saudade.
E então, já cheia de ti,
Deixa-me descansar, assim
Cheia, em mim
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