sábado, 16 de abril de 2011

Há sentires impalpáveis
Incertos, de contornos difusos
Esboços de tudo e de nada
Sem forma certa, sem limites que lhes dêem contorno
Figuras dispersas que dançam na noite, como fantasmas
E é à noite, é sempre à noite que os fantasmas saem para dançar


domingo, 10 de abril de 2011

Cheia de ti

Deixa-me
Encher-me de ti
Encher os sentidos, as mãos e o corpo,
A vontade e a saudade.
E então, já cheia de ti,
Deixa-me descansar, assim
Cheia, em mim

terça-feira, 22 de março de 2011

Onda Maior

Trazia o mar na ponta dos dedos
Sorvia a espuma irrequieta dos dias leves, aquecida por um sol maior
Escondia-se por detrás de pequenos grãos de areia
Serpenteava por entre rochas de sombras cálidas
Sulcava dunas desenhadas em vagas de sal, que nasciam sob os seus pés
Repousava em  grutas quiméricas, apenas para se reerguer em cada volta de Sol
As gentes da Tribo chamavam-lhe Onda Maior
Limitava-se a sorrir e a dizer:
Sou apenas eu, o Mar encarnado em corpo de mulher.

sábado, 25 de setembro de 2010

Encerrado para balanço

Este blog está temporariamente encerrado para balanço...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Nacional 10

Há qualquer coisa de certamente místico na Nacional 10, mais concretamente entre as zona da Póvoa e  Alverca. Nunca vi tamanha concentração de anúncios a sexshop's por metro, sim digo por metro e não por kilómetro! É um fenómeno digno do Entroncamento.
O que motivará tantos, mas mesmo TANTOS, anúncios por esse pedaço de estrada? Será da proximidade face ao rio? Será dos caniçais que por ali abundam? Ou será que a população da zona tem um apetite ou uma desenvoltura superior ao restante país? Para mim é um enigma! A verdade é que a criatividade e o sentido de humor abundam como prova a foto abaixo. Eu rio... e talvez os senhores da MEO também!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Hoje já não é feriado

Cresceu num sítio onde hoje é feriado. 5ª feira da espiga. Por entre mais campo do que prédios caminhava-se, em família, em festa, e apanhava-se a espiga. Uma papoila, flor de alfavaca, espiga de trigo e raminho de oliveira. Cada um levava o seu ramo. O dela era diferente, todo vermelho porque só queria papoilas. Faziam-lhe a vontade e seguiam naquele passeio que parecia anunciar a chegada do verão. Hoje sobrava apenas ela, acumulando o peso de estar viva quando todos eles já não estavam. E cada ramo de espiga com que se cruzava na rua apenas sabia a um eco amargo que repetia em looping: eles já não estão cá, hoje já não é feriado.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Hoje

Hoje
Fizeste-me sorrir
Quando olhei para o espelho e vi os teus olhos
Sorri ao ver-te, ali
A olhar, para mim
No espelho, os teus olhos
A sorrirem
Para mim
E eu, sem forças para mais
Sorri-te de volta