Deixa-me
Encher-me de ti
Encher os sentidos, as mãos e o corpo,
A vontade e a saudade.
E então, já cheia de ti,
Deixa-me descansar, assim
Cheia, em mim
Há qualquer coisa de certamente místico na Nacional 10, mais concretamente entre as zona da Póvoa e Alverca. Nunca vi tamanha concentração de anúncios a sexshop's por metro, sim digo por metro e não por kilómetro! É um fenómeno digno do Entroncamento.
O que motivará tantos, mas mesmo TANTOS, anúncios por esse pedaço de estrada? Será da proximidade face ao rio? Será dos caniçais que por ali abundam? Ou será que a população da zona tem um apetite ou uma desenvoltura superior ao restante país? Para mim é um enigma! A verdade é que a criatividade e o sentido de humor abundam como prova a foto abaixo. Eu rio... e talvez os senhores da MEO também!
Cresceu num sítio onde hoje é feriado. 5ª feira da espiga. Por entre mais campo do que prédios caminhava-se, em família, em festa, e apanhava-se a espiga. Uma papoila, flor de alfavaca, espiga de trigo e raminho de oliveira. Cada um levava o seu ramo. O dela era diferente, todo vermelho porque só queria papoilas. Faziam-lhe a vontade e seguiam naquele passeio que parecia anunciar a chegada do verão. Hoje sobrava apenas ela, acumulando o peso de estar viva quando todos eles já não estavam. E cada ramo de espiga com que se cruzava na rua apenas sabia a um eco amargo que repetia em looping: eles já não estão cá, hoje já não é feriado.
Hoje
Fizeste-me sorrir
Quando olhei para o espelho e vi os teus olhos
Sorri ao ver-te, ali
A olhar, para mim
No espelho, os teus olhos
A sorrirem
Para mim
E eu, sem forças para mais
Sorri-te de volta
Olhas-me com os teus olhos morenos
Sussurras-me sem palavras a aventura que seria ficar
E, eu, fico um pouco mais pequena
E penso o que seria morrer no mar
Lençóis de espuma e de sal
De ondas que nos tocam a pele
No dia em que do teu sussurro não nasça a voz
Eu quero morrer no mar
E se o negro é a minha cor
E se não sei respirar devagar
Depois do sussurro que não ouvi
Depois do amor que não disseste
Eu quero morrer no mar